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Ergonomia na cozinha: a casa sem sóculo

Atualizado: 20 de abr. de 2023

Imagem do séculoinha e função do bidê



Por MATEUS ESTEVES I Arquiteto e Urbanista



Eu venho de uma casa sem sóculo. Descobri a real função dele outro dia, quase dez anos de formado, não sabia o que era isso na sua plenitude.


Na casa na qual cresci, projetada pelos melhores arquitetos que já conheci, o sóculo está lá porque eleva os armários do chão, mas não possibilita o tão sagrado espaço para os pés para que se chegue mais próximo da pia para lavar ou manipular as coisas confortavelmente sobre a bancada. Cresci não sabendo que o sóculo é especialmente para isso, e só agora eu sei o motivo de tanto desconforto com a minha pia.


Imagem do sóculo


Essa história toda é para falarmos de ergonomia e arquitetura.

A construção do Espaço proposta pelo arquiteto, passa pela sua ergonomia em igual quantidade em que passa pela necessidade de ser belo, acolhedor, viável (coerente ao público a que se destina). E dessas qualidades, duas passam pelo lado artístico, o belo e o acolhedor, duas pelo lado técnico, ergonomia e sua viabilidade técnica.

Todos vivemos ambientes que por vezes são muito bons ou muito ruins ergonomicamente, e muitas vezes não sabemos por que o são. Para se projetar existem parâmetros que devem ser seguidos para alcançar a funcionalidade do espaço/objeto.



Outra coisa que sempre me incomoda (e talvez ao leitor, que nem sabia), a escada onde o degrau é maior que o passo de uma perna para outra, e menor que o de dois passos completos. Aquela escada em que se inicia a subida com um pé num degrau, e no próximo, você reinicia a subida com o mesmo pé. Muito desconfortável, observem quando tiverem oportunidade. Seu oposto, a escada “Santos Dumont” onde o piso te indica o pé a usar e economiza espaço sem sacrificar o conforto.



Alguns objetos utilizamos de forma errada uma vida inteira, e quando nos percebemos, tudo parece muito óbvio. No meu caso, o bidê:

O bidê, objeto de higiene quase em desuso (por espaço ou por substituição pelas duchas higiênicas), eu nunca imaginei qual era a sua correta utilização até chegar a uma casa onde próximo à ele havia uma saboneteira e um toalheiro (toalha para as mãos, por favor!). No bidê se chega de frente, e seu desenho é perfeito para sua utilização. É mais que ergonomia, é design.



Tudo isso, pra dizer que a arquitetura é a aliança perfeita da beleza estética e da excelência de soluções relativa às condicionantes únicas de cada projeto. A arte e a técnica igualmente pesadas, refletindo em qualidade de vida àqueles que habitam os espaços, e constroem em tempo real, a memória e a história de um lugar.

Por fim, como curiosidade, em nome da forma, um design que a mim faz muito pouco sentido, pois não remete à sua função, que é a bacia sanitária quadrada. São raríssimas as bundas com este formato. Enfim, é a ditadura da forma.


E você leitor, quais objetos ou espaços você sempre utilizou ou viu serem utilizados de forma “errada”? Faça esse exercício, observe à sua volta, faz bem entender porque algumas coisas funcionam melhor do que outras e porque nos sentimos mal ou bem em determinados lugares.


Um espaço é constituído de memórias afetivas, dos lugares onde se cresceu, os lugares comuns super especiais onde se vivem belos momentos. Por isso, cuide com carinho do seu! Contrate um bom arquiteto, escolha belos quadros para suas paredes, coloque o seu espaço ao seu jeito, é ali que a vida esta sendo vivida, e a sua beleza se manifesta em todos os sentidos!


Os artigos publicados neste blog expõem o pensamento de seus autores sobre um determinado tema de interesse público, sendo da responsabilidade de cada autor o conteúdo aqui veiculado.

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