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Tomei a vacina, já posso sair?

Atualizado: 20 de abr. de 2023

Medos e anseios de voltar ao convívio social


Por Letícia Machado I Psicóloga


Autocuidado e autoconhecimento: Uma reflexão a respeito dos efeitos psicológicos causados pela pandemia e alguns cuidados necessários para usufruir de um retorno ao convívio social com qualidade e boa saúde mental.


Photo by lucas souza from Pexels



Que a pandemia ainda não se encerrou isso é uma realidade para todo e qualquer brasileiro independente do Estado onde se vive, não é mesmo?


O que é uma diferença diante dessa situação, é a forma como cada pessoa enxerga esse retorno ou o que podemos pensar do que se tinha de referência e chamávamos de normalidade.

Exatamente é esse o ponto que quero conversar com você hoje por aqui, afinal o número de pessoas que tem apresentado insegurança em retornar a frequentar os espaços públicos e a dificuldade de se relacionar com outras pessoas, com os locais de serviços da cidade onde mora, tem sido demanda frequente na prática clínica.


Sim, à medida que os lugares voltaram a funcionar, algumas pessoas foram acompanhando esse ritmo, outras após a vacinação, e alguns nem chegaram a ficar em total reclusão por conta da atividade profissional exercida. Mas, para alguns pode ser um momento de extrema. dificuldade.

Dificuldade essa que nos exige cuidados específicos e uma boa dose de autocuidado e autoconhecimento.


Photo by Chris Greene on Unsplash


Talvez você esteja me questionando em pensamento: Como assim, Letícia? Estou falando de um retorno a circulação e movimento frente à vida e convivência social e você vem me dizer que preciso me conhecer e cuidar de mim?


Sim, isso mesmo.


O retorno do home office para o trabalho presencial, ainda que em sistema híbrido, pode exigir com que as pessoas tenham que lidar com uma adaptação psicológica.


Estamos há 1 ano e sete meses vivendo com nosso cérebro funcionando em sistema de alerta, buscando a sobrevivência e a manutenção da sanidade mental em um nível de estresse alto, expostos a agentes estressores.


Em todas as faixas etárias o sofrimento se fez presente, de crianças a idosos. Para muitos, esse sofrimento permanece. O medo, ansiedade, irritabilidade, atrasos no desenvolvimento, lentidão e esquecimento de memória, dores nas articulações, medo/receio de se relacionar com outras pessoas (para alguns isso inclui uma simples ligação telefônica), até chegarmos a quadros mais graves como depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada, fobia social e transtorno Obsessivo Compulsivo e Transtorno de Estresse Pós Traumático entre outras.


Photo by Önder Örtel on Unsplash



Nesse momento, é necessário lidarmos com os sintomas pós-traumáticos vividos. E é aqui que entra esse tal autocuidado e autoconhecimento que te falo. O número de conflitos familiares, conjugais e sociais que vivenciamos enquanto sociedade permanece presente em alto grau.


Para que possamos vivenciar e passar por uma demanda psicológica é importante que você se conheça. Somos seres únicos e possuímos as nossas singularidades humanas. Se desprender de alguns padrões estabelecidos pelo mundo social e buscar compreender o que faz sentido para você é um grande passo.




Para o funcionamento no nosso cérebro, fazendo uma analogia, é como se estivéssemos saindo de uma guerra. Alguns já conseguem criar um novo caminho interno em seu funcionamento e construir um novo olhar e assim dar seguimento à sua vida, se aproximando de uma vivencia em bem estar. Como um filme que está chegando na fase onde os conflitos já estão sendo solucionados e o final feliz se aproxima sabe?


Outros, necessitam de um pouco mais de investimento em seus conflitos internos e externos (quem em meio a essa pandemia não visitou sentimentos, momentos e realidades desafiadores junto a sua história de vida?) e outros apresentam demanda de ajuda profissional e uma boa dose de apoio, suporte e respeito por parte dos seus familiares e amigos.


Photo by Ketut Subiyanto from Pexels



Lidar com demandas em saúde mental pode ser algo desafiador para muitas pessoas pois para muitos somente se enxerga um processo patológico ou de necessidade de cuidado quando se instala algum sintoma físico que aparece em algum exame físico, como um carimbo que valide o que estou sentindo.


Vivemos uma fase em que lidar com as demandas de nossa saúde mental ainda é algo desconhecido ou uma grande novidade e como conhecimento novo precisamos conhecê-lo.


Assim:


-Conhecer a si mesmo


-Conhecer o funcionamento do seu cérebro e do seu corpo


- Fortalecer sua inteligência emocional


-Tratar os traumas psicológicos vividos


Esses são recursos extremamente necessários nessa caminhada.


Vale lembrar que nesse momento na grande parte do nosso país estamos lidando com avanços na cobertura de vacinação junto a população e baixa demanda de internações e falecimentos pela convid-19.


Trazer essa informação concreta da realidade à mente pode parecer algo muito simplório, mas que faz muita diferença ao nosso cérebro.


Por todos os motivos descritos acima junto às demandas em saúde mental, exercer o retorno ao convívio social é tão importante como tomar os cuidados sanitários necessários: uso de máscara, distanciamento das formas de contaminação.


Photo by Atoms on Unsplash



Respeitando o seu ritmo, o ritmo do seu cérebro e do seu corpo, busque esse retorno e caso perceba que sozinho ou com a ajuda dos familiares e amigos não tem conseguido exercê-lo, não hesite, busca ajuda de um psicólogo ou psicóloga.


Cuidar da sua saúde mental é como fazer atividade física por exemplo, o investimento precisa ser diário e constante para que os resultados sejam alcançados e isso também inclui, saber que, ao iniciar um processo psicoterápico ou um processo de análise, cada um com suas características, ambos demandam tempo, tempo esse que para ser eficaz necessita do respeito ao ritmo de cada paciente.


Então, quando for buscar ajuda profissional, não caia na ilusão de pensar que você irá solucionar algo que vem trazendo prejuízo a sua vida há anos, meses ou em um nível grave e queira que seja solucionado em semanas, 1 mês, o mais rápido possível, combinado?




De forma mais prática algumas ações que são interessantes de serem exercidas para contribuição em seu retorno ao convívio social:


-Noção real do que de fato se faz necessário fazer como cuidados sanitários para manter a prevenção pela covida-19.


- Ter possibilidade de enxergar o tamanho do seu medo. Se faça a seguinte pergunta: meu medo está me salvando ou me bloqueando nessa situação?


-Comece por atividades com menor risco de acordo com o seu nível de preocupação.


Alguns Exemplos:


-Se arrume mesmo que seja para tomar seu café da manhã


-Exerça alguma atividade de cuidado com as suas plantas, com alguém do seu convívio ou com algum animal de estimação.



- Faça alguma refeição em um local mais arejado no seu ambiente domiciliar, um quintal, varanda ou arrume a mesa como se fosse receber visitas.


- Faça uma caminhada no bairro onde mora.


-Ande de carro pelo centro, por lugares movimentados de sua cidade.


- Fique por algum tempo em alguma praça sentindo a brisa, lendo um livro ou apenas observando o movimento e a existência da vida ao seu redor e da sua vida própria vida.




Bom, essas são algumas possibilidades. Já deu pra perceber que eu ficaria horas conversando a respeito desse assunto não é mesmo? Caso queira falar mais a respeito me chama por direct lá pelo Instagram ou pode me enviar um e-mail da forma que preferir, será uma alegria.


Espero de verdade que o texto de hoje lhe inspire a se colocar em movimento interno e externo, a exercer o pulsar da sua vida e, sempre respeitando o seu ritmo, que tenhamos um ótimo mês de setembro com a alegria da primavera.


Cuide com carinho e amor,


Até,


Letícia Machado



Por Letícia Machado I Psicóloga

Olá, sou Letícia Machado, Psicóloga, especialista em Psicologia do Envelhecimento e em Terapia EMDR, Personal Organizer, escritora aqui no Blog da Art Wall e hoje trago uma abordagem sobre os desafios de voltar ao convívio social após tanto tempo de reclusão. Espero que este texto te ajude ou ajude alguém que você conheça. Boa leitura!



Os artigos publicados neste blog expõem o pensamento de seus autores sobre um determinado tema de interesse público, sendo da responsabilidade de cada autor o conteúdo aqui veiculado.

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